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segunda-feira, 29 de março de 2010

Sua Saúde vs Sua Segurança




Antes de competir em qualquer evento automobilístico, dê a devida atenção a sua saúde geral. Um exame médico completo, mesmo não sendo obrigatório, deve ser realizado para que se tenha certeza de sua saúde geral e que, no "stress" de uma competição, tudo saia bem.

Em um esporte aonde reações rápidas são vitais, o cuidado com a visão deve ser redobrado. Caso você precise de qualquer tipo de correção visual, utilize óculos com lentes à prova de estilhaçamento, além de uma armação não metálica para a sua segurança, além é claro, de usar um capacete completamente fechado. Lentes de contato podem ser utilizadas também, mas caso durante a corrida tenha algum problema com elas, pare imediatamente.


Exemplo de óculos com lentes de Policarbonato e que não estilhaçam.


Se você usa algum tipo de medicação, incluindo medicações sem prescrição médica, declare isto para a organização da prova ou sua equipe. Se necessário, utilize uma plaqueta identificado facilmente suas necessidades médicas especiais. Isto pode acabar sendo vital em um acidente, além de auxiliar a equipe médica no diagnóstico de qualquer problema. Em provas de rally, conheça os cuidados médicos de seu piloto/navegador, assim como tenha certeza que ele saiba dos seus.


.O uso de medicamentos deve ser controlado.


Se por algum motivo você se sentir mal durante uma prova, você deve considerar seriamente a sua retirada da mesma, trazendo assim segurança para você mesmo e para outros competidores.

Pirâmide alimentar clássica. Dê preferência a alimentos da base da pirâmide antes de provas.

Pense sobre a sua dieta e particularmente sobre a sua hidratação. Uma regra geral é comer e beber em pouca quantidade porém varias vezes, ao invés de comer de uma vez só muitas calorias antes de uma competição. Em provas quentes e de longa duração, tenha cuidado redobrado com sua hidratação.




Lembre-se: estar com a saúde em dia, sem o efeito de qualquer medicamento, drogas ou bebidas alcoólicas, é essencial para a sua segurança e das demais pessoas ao seu redor.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Quando a Prática Comprova a Teoria


Um dos principais motivos que me fizeram criar esse blog, era para tentar trazer a todos os pilotos de arrancada a cultura e o conhecimento sobre segurança automobilística e a sua importância, tanto para a vida do piloto como para o espetáculo.




Neste último final de semana, ocorreu no Velopark o 3o 402 Racing, que é a prova de abertura da temporada de arrancadas no complexo automobilístico. Início de ano, poucos carros, mas muitos curiosos devido a muitas mudanças no regulamento, principalmente   no quesito segurança, sendo importante ressaltar o trabalho do Rogério Gregoris, que assumiu o departamento de Arrancada na CBA, e que fez ótimas mudanças nos regulamentos, visando a segurança dos pilotos.


Durante os treinos da manhã de sabado, o inesperado para muitos acabou acontecendo. O piloto Guilherme Senne Rosa, a bordo do Gol 444 da categoria Turbo-B, ao final dos 402m, a aproximadamente 224km/h, acabou se chocando contra o muro lateral da pista. Quem estava presente disse que foi uma cena assustadora, pois o carro permaneceu andando até o final da pista devido a velocidade na pancada contra o muro.



Ninguém sabe precisar o motivo do acidente, mas todos que viram sabem que os equipamentos de segurança adequados junto com a equipe de resgate extremamente treinada pelo Velopark fizeram a diferença para o bem-estar e proteção do piloto.

Tivemos acesso ao carro que ficou guardado no final da reta para observar os estragos e assim poder confirmar a importância do uso correto dos equipamentos. Abaixo, estão as fotos que tiramos do veículo, junto com os comentários sobre os estragos e o que foi evitado. Observem e tirem as suas próprias conclusões.

Note aonde o pneu e suspensao bateram, entortando toda a parede corta-fogo e paralama pra dentro, inclusive trancando a abertura da porta.

No caso desse Gol, a gaiola de proteção, bem fixada e feita de acordo com o regulamento de segurança, salvou no mínimo as pernas do piloto, visto que com a pancada, a roda e suspensao dianteira esquerda acabou quase entrando parede corta-fogo a dentro do veiculo, essa que teve sua deformaçao minimizada pela gaiola de proteção.

Deformação da parede corta-fogo. Note que foi na posição de fixação da gaiola, esta que impediu que a parede "entrasse" até as pernas do piloto.

Barra lateral da gaiola torta devido a força da pancada no muro.

Painel de plástico todo deformado e coluna de direção quebrada provavelmente pela força do piloto no acidente.

Note que mesmo após o acidente, numa velocidade acima de 200km/h, a gaiola de proteção manteve o habitáculo do veículo intacto, sem "prensar" o piloto.


Banco de Alumínio com a devida fixação cervical, obrigatória a partir de 2010. Evita que em acidentes o banco de alumínio acabe dobrando junto com as costas do piloto.



Cinto de 3pol homologado internacionalmente e com fixação adequada. Simplesmente fizeram sua função e agora devem ser descartados.

Vista lateral traseira, note a torção do monobloco com o acidente.


Olhando o carro após o acidente, ou as fotos expostas acima, podemos ver que aqueles equipamentos de segurança antes aqui falados fizeram a diferença. A inexistência de uma gaiola, ou de bancos ou cintos de segurança inadequados certamente ocasionariam um estrago bem maior não só ao carro, mas também a integridade física do piloto.

Infelizmente o piloto acabou sofrendo um trauma na perna e estava internado para fazer uma cirurgia. Acredito que o trauma este, ocorreu devido ao reflexo do ser-humano de fixar o pé no fundo do assoalho quando se sente em perigo, porém, nas fotos acima observamos que o mesmo se deslocou em direção ao piloto, com isto a perna dele pode ter sofrido o impacto causando o trauma.

Reflexo do piloto: Firmar o pé no fundo do assoalho.


As fotos acima são a comprovação prática daquilo que venho falando. Que quando as coisas saem fora do controle do piloto, temos que ter segurança em volta para que tudo termine bem. Na construção de qualquer carro de competição a primeira preucupação que o piloto deve ter são com os itens de segurança, depois com o tamanho da turbina ou do pneu. Ir para corrida com o carro inseguro, é pior que ir para guerra sem armas!

Lembre-se: A sua segurança está em suas mãos!

Deixo aqui meus parabéns ao piloto Guilherme Senne Rosa e sua equipe pelos devidos cuidados com a segurança do veículo e espero que tenha uma ótima recuperação, voltando a correr já na próxima etapa.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Snell e sua importância na segurança


Quando falamos em certificação de capacetes para competição em nível mundial, não podemos pensar em entidade com maior referência do que a SNELL.

Criada em 1957 a Snell Memorial Fundation é uma organização sem fins lucrativos que há mais de 50 anos vem se dedicando a pesquisa, educação, teste e no desenvolvimento de uma padronização de segurança para capacetes. A mesma se tornou líder nos Estados Unidos e no resto do mundo, no que se trata de segurança de capacetes no automobilismo.

Dirigida por uma série de engenheiros, cientistas e médicos, a Snell é responsável pela realização de testes de segurança em capacetes automobilísticos, testes estes baseados em diretrizes por ela idealizadas.

No ano de 2010 a Snell lançou uma nova diretriz referente aos testes em capacetes automobilísticos, denominada "2010 STANDARD FOR PROTECTIVE HEADGEAR - For Use in Competitive Automotive Sports or For Use in Kart Racing". Interessados podem ler ela diretamente no site da organização. http://www.smf.org

Abaixo, irei citar o trecho traduzido que inicia a diretriz.


Nota Especial para Usuários de Capacetes

"Existem quatro razões para que você se interesse nestas Diretrizes:

1. Corridas automobilísticas trazes grandes riscos de morte ou danos permanentes em caso de lesão na cabeça.

2. O uso apropriado de capacetes "seguros" pode minimizar este risco de morte ou dano permanente.

3. A capacidade de proteção de um capacete é difícil de ser estimada, principalmente na hora da compra ou de uso. A capacidade de proteção atualmente é realizada através de testes destrutivos que estão além do alcance da maioria dos usuários de capacetes.

4. A certificação Snell está apoiada através de testes destrutivos realizados com amostras colhidas aleatoricamente de vendedores e distribuidores, identificando quais modelos de capacetes promovem e permanecem com os maiores níveis de proteção a cabeça do usuário."


Ao longo da diretriz é explicado como devem ser realizados todos os testes para se avaliar a segurança de um capacete de competição. Em uma rápida busca pelo YouTube encontramos dois videos que mostram um pouco dos destes realizados pela organização.







Iae? Depois de ver esses vídeos será que seu capacete comprado na loja de moto por R$60,00 aguenta o tranco? Lembre-se que é a sua cabeça que vai estar ali no meio e no quanto ela vale.

No site da Snell temos uma lista com todos os capacetes testados e certificados pela organização. Segue o link: http://www.smf.org/cert.html

Abraços!

terça-feira, 9 de março de 2010

Segurança Automobilística for Dummies (Parte 02)



Dando seguimento ao assunto, vamos agora citar os quatro principais equipamentos que devem ser utilizados pelo piloto em qualquer tipo de prova automobilística. Deveriam ser obrigatórios em qualquer tipo de prova.







Capacete:

Proteger o espaço vazio entre suas orelhas é a grande tarefa do capacete. Primeiramente ele tem a função de proteger sua cabeça e cérebro no caso de um impacto. Além disso, tem como função proteger contra o fogo.

Capacetes não desenvolvidos para competições automobilísticas não dão a segurança suficiente para a corrida, então, use capacetes específicos. Devemos buscar capacetes com certificação ou homologação de órgãos e entidades relacionadas ao automobilismo como FIA, CBA, SNELL, SFI, entre outras.

A construção e materiais variam de acordo com o fabricante, porém a maioria utiliza o mesmo princípio. O capacete tem um casco resistente para dissipar a maior quantidade de energia possível. A segunda camada é o forro, uma grossa camada de um material absorvente de energia, este que deve voltar a sua forma original após vários impactos. Por ultimo, o revestimento interno, que é a parte do capacete que tem contato com o piloto, e que deve ter  proteção anti-chamas. 


Não adianta termos um capacete com revestimento e pintura anti-chamas se a viseira também não for de material contra fogo. Ninguém quer uma viseira derretendo em nossos olhos.

Exemplo de um teste de fogo feito em um capacete comum. 
Note a viseira já derretida enquanto o fogo se propaga dentro do capacete.

O capacete fechado oferece uma maior proteção contra fogo e impactos, enquanto os abertos devem ser evitados. Todos os capacetes para competição automobilísticas hoje em dia, são projetados para apenas um grande impacto, ou seja, se ocorrer, é hora de comprar um novo.


Macacão:

A direita exemplo de macacão fechado e a direita macacão em duas partes.

O macacão é a última linha de defesa para se proteger de um acidente com fogo, e seus fabricantes tem desenvolvido bons equipamentos para proteger pilotos em todos os níveis. Macacões estão disponíveis em modelos de uma ou duas peças, os de uma peça protegem o piloto do pescoço aos calcanhares, enquanto o de duas peças trata-se de uma calça e uma jaqueta. Os de uma peça são considerados mais seguros, pois não possuem divisão. 

Os dois materiais mais utilizados são o Nomex e o Proban, geralmente o Nomex é mais caro, porém protege melhor se cuidado adequadamente, já o Proban, enquanto é mais barato, tem uma vida útil menor. Outro ponto negativo do Proban, é que como é feito de algodão tratado com químicos para ter sua ação anti-chamas, após diversas lavagens com seu efeito anti-chama acaba sendo reduzido.

Exemplo de manta de Nomex, este que é fabricado pela Dupont.


A maioria dos fabricantes concordam que o Nomex é o melhor material para a proteção do piloto contra chamas.

Macacões possuem de uma a cinco camadas, obviamente mais camadas dão uma maior proteção anti-chamas. Em testes realizados em chamas de gasolina, aonde a temperatura atinge facilmente 




1000°C, um macacão comum oferece proteção por apenas três segundos, enquanto um macacão de qualidade e com certificação oferece normalmente 40 segundos de proteção. Obvio que quanto maior a qualidade, maior o preço.


Luvas:



O uso de luvas tem vários propósitos, o mais importante é a proteção contra fogo, o segundo e também muito importante é dar uma boa aderência ao volante do carro.

Nomex é o material mais utilizado em luvas, sendo que o uso de várias camadas é comum. Outros materiais como borracha e couro são utilizados na palma da luva provendo aderência.
Servir e se sentir confortável são as considerações mais importantes ao escolher a luva. Uma boa luva resulta em menos esforço da mão do piloto.




Sapatilhas:




Assim como as luvas, as sapatilhas tem como principal objetivo a proteção contra fogo aos pés do piloto. 


Existem diversas marcas e modelos, sendo várias direcionadas para cada tipo de competição, mudando seu corte, reforços e altura.


O piloto deve buscar uma sapatilha que se sinta confortável, mas que traga também firmeza aos pés, para que nenhum deles acabe escorregando dos pedais.




Lembrem-se:

O carro é feito de ferro, basta alguns quilos de massa plástica e algumas marretadas que tudo volta para o lugar, mas nós somos feitos de carne e osso, então os cuidados com a nossa segurança são importantes e necessários!

Segurança por ai....



É muito bom ler em outros blogs e/ou sites que aos poucos a preocupação com a segurança na arrancada vem crescendo.

Abaixo coloco um trecho retirado do blog do Marco de Queiroz.

  "Segurança é um assunto necessário, mas que  tenho algum receio de abordar. Todos concordam que é mesmo fundamental, mas na hora de pôr em prática, o comportamento muda e a lista de desculpas para não fazer o óbvio poderia encher muitos livros de estórias.

Vou contar uma pequena história ( verdadeira...) que aconteceu com um piloto brasileiro e gaúcho nas frias terras inglesas. Garanto a vocês que não é fácil correr fora do Brasil apoiado apenas no  talento, porque lá, como aqui, a velocidade custa caro, ainda mais quando não estamos falando de arrancada."



Confiram diretamente lá a matéria na íntegra que vale a pena. O link é http://402m.com.br

Abraços

sábado, 6 de março de 2010

Segurança Automobilística for Dummies (Parte 01)


O elemento mais importante em qualquer competição automobilística, não é ter apenas tempos rápidos, mas sim, a própria segurança. Segurança é um fato que todo o piloto, seja ele um amador ou um recordista mundial deve levar em consideração.

Abaixo irei demonstrar alguns equipamentos de segurança que certamente você já ouviu falar, porém que são vitais para que no fim do dia você volte sorrindo pra casa. Vamos começar falando de itens de segurança no carro, e na segunda parte da matéria sobre itens utilizados pelo piloto.


GAIOLA DE PROTEÇÃO

Um dos elementos básicos em segurança automobilística é a gaiola de proteção. Esse importantíssimo item vem evoluindo desde o dia em que os antigos conversíveis vem correndo nas areias de Daytona Beach.
Devido ao aumento da velocidade, ano após ano, pilotos sofrem acidentes cada vez mais graves devido a velocidade, e simplesmente acabam saindo caminhando do automóvel. Isso só é possível porque ao longo dos anos de observação em engenharia, gaiolas de proteção acabaram tornando-se uma célula de sobrevivência.  
Projeto de gaiola de proteção feito em computação gráfica. Note o número mínimo de seis pontos de ancoragem e triangulações para maior resistência.

Devem ser construídas seguindo normas de exigências, como baseadas em critérios da NHRA, ADRL ou no Anexo J da FIA. Em outra matéria iremos falar detalhadamente sobre a construção de uma gaiola segura.

BANCOS DE COMPETIÇÃO



Bancos de competição são construídos para absorver a energia do impacto e a manter longe do seu corpo. A qualidade do material utilizado e a quantidade de acolchoamento utilizado na construção de um banco é determinante para a sua eficácia. Quanto melhor o material e acolchoamento mais caro fica o banco. Normalmente a escolha e compra de um banco de competição acaba quebrando o bolso do piloto, e é aí que, os erros são cometidos.
Procure por acolchoamento adequado em áreas críticas, como no assento e nos suporte para as costelas. Certifique-se que o banco veste em você corretamente, verifique se o buraco para os cintos nos ombros está na altura certa e que sua cabeça, ombros, costelas e coxas, estão bem encaixadas.
Outro fator que deve ser levado em consideração é o seu próprio peso, é óbvio que um piloto leve não exerce as mesmas forças de inércia que um piloto pesado. Então procure um banco proporcional ao seu peso. Basicamente um banco deve servir no seu corpo assim como o capacete na sua cabeça.
Um banco de competição é construído para deformar em grandes impactos, então a troca de um banco depende da severidade de um acidente. Um impacto leve pode apenas causar uma fraca deformação, porém em um acidente grave, depois que você saiu caminhando agradecendo por estar sem dor nas costas, o banco fez o seu trabalho e você deve comprar um novo.


CINTOS DE SEGURANÇA


O uso de cinto de segurança tem como função óbvia, manter o piloto preso ao banco e deixar os outros sistemas de segurança absorverem o impacto do acidente. Por incrível que pareça escolher um cinto não é difícil. Os elementos mais importantes são a qualidade de construção, a facilidade de uso e o preço.
Entretanto, não seja enganado pelo preço baixo. Existe diferença nos materiais utilizados, incluindo como a trava é feita e a qualidade das cintas utilizadas. Se um cinto é muito barato, observe que as cintas e travas não possuem qualquer tipo de certificação quanto a sua segurança. As cintas são desenvolvidas para esticar um pouco e agir como um amortecedor. A chave para um bom cinto de segurança, é quando a cinta estica a quantidade correta. Esticando de mais ou de menos o cinto irá falhar.
Olhe também para a trava. A maioria dos cintos de segurança básicos, possuem travas não anodizadas. A anodização não afeta realmente na performance dos cintos, porém mantém a trava longe da oxidação, o que consequentemente impacta na vida útil do mesmo.
A coisa mais importante com o cinto de segurança é o conforto, você precisa se sentir confortável usando. Você deve, mesmo usando luvas, apertar e soltar com facilidade. 
Após cada impacto forte, ou a cada cinco anos, o mesmo deve ser trocado. E caso compre um carro que já venha com cinto de segurança, troque-o pois você não sabe o que ele já passou no corpo de outros pilotos.

Na próxima parte da matéria, falaremos a respeito da importância do capacete, macacão e luvas adequados.

Abraços

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fogo!





Que devemos ter cuidado com o fogo no dia a dia todo mundo já sabe. Mas será que todo mundo que corre por ai se preocupa com a segurança contra fogo em seus carros?


O vídeo abaixo tem cenas fortes, mas é um belo exemplo de como um equipamento adequado, com proteção anti-chamas, pode salvar a vida de um piloto.





Mais além iremos falar de cada um dos equipamentos de segurança e sua importância.


Cuide-se!





quinta-feira, 4 de março de 2010

Cinto de Segurança

Há uns dois anos atrás recebi o relato de um amigo jipeiro de Belo Horizonte/MG reclamando que o cinto de quatro pontos que ele tinha comprado pro jipe dele em uma capotagem simples acabou quebrando e ele quase foi ejetado para fora.

Tratou-se de uma capotagem lenta, pois participava de uma prova de Rock Crawling, aonde a velocidade muitas vezes não passa nem de 5km/h.

A trava da fivela do cinto, que era de plástico, se quebrou ocasionando a liberação do cinto e conseqüentemente soltando o piloto. Fico imaginando se isso acontecesse em um acidente com uma velocidade maior. Certamente o piloto seria ejetado para fora do carro.

Abaixo seguem algumas fotos de como ficou o cinto de segurança, apaguei a marca para evitar qualquer tipo de problema jurídico.



Tratava-se de um cinto de segurança nacional, facilmente comprado em qualquer loja de performance por aproximadamente R$80,00 cada um. Não possuía nenhum teste de resistência e muito menos certificação a algum órgão ou entidade responsável por alegar a segurança de um equipamento (CBA, FIA, SFI, etc).

Por isso pessoal, na hora de gastar em um cinto de segurança, vamos tirar o escorpião do bolso e comprar um equipamento com qualidade, não se esqueçam que a vida de vocês depende dele em caso de algum problema de percurso.

Abs

Segurança na Arrancada

Ano passado escrevi uma matéria para o site da Associação Desafio (www.categoriadesafio.com.br) sobre os cuidados com a segurança na arrancada.
Abaixo segue a matéria na integra:






Segurança na Arrancada

Carlo Isaia Neto
Biomédico e Incentivador da Arrancada
                                                                       
            Turbina importada, câmbio com bloqueio e engrenagem forjada, sistema de injeção de combustível de última geração, bicos que alimentam a fome da África, itens que a grande maioria dos pilotos de arrancada no nosso país acredita ser essenciais, mas e os itens de segurança? Infelizmente eles acabam sendo deixados de lado. Ao invés de gastar um pouco mais em segurança, muitos preferem investir em uma nova pintura, ou até um jogo de manômetros brilhosos para o painel.
            Tem aqueles que acham que como a corrida é em linha reta não tem perigo, outros acham que não são rápidos o suficiente para precisar de equipamentos, enfim, as desculpas são as mais diversas, é aquela velha história que “comigo jamais vai acontecer”, mas e se acontecer? Como já diria a máxima da medicina: “Antes prevenir do que remediar”.
            Arrancada é um esporte de alto risco sim, assim como qualquer outra competição automobilística, e cuidados com a segurança devem vir em primeiro lugar. Hoje em dia graças a diversas empresas que fabricam e comercializam equipamentos de segurança, temos uma grande variedade de produtos para todos os gostos e bolsos, mas não podendo esquecer que também existem aqueles de boa e de má qualidade. Se colocarmos os custos na ponta do lápis, gastos com segurança não chegam a 10% do valor final de um carro de ponta hoje na arrancada.
            Temos carros que hoje ultrapassam facilmente os 200km/h no final dos 402 metros de pista. Alguém faz idéia do que pode acontecer com o piloto no caso de um acidente a essa velocidade em um carro não preparado para isso? Apresentarei abaixo algumas fotos de acidentes automobilísticos simples, a uma velocidade bem abaixo da que estamos acostumados a ver e andar nas provas, apenas para que cada um analise o seu carro e seu comportamento quanto à segurança.


A foto acima demonstra a lesão abdominal causada por um acidente em um veiculo a 110km/h com o piloto utilizando apenas um cinto de 3 pontos e banco original. É conhecido que a velocidades superiores a esta, o cinto de 3 pontos já não garante mais segurança. Imaginem então um carro com banco e cinto original a 200km/h?


A foto acima demonstra uma “Lesão do Chicote” na coluna cervical do piloto. Algo muito comum em acidentes de alta velocidade, especialmente se o piloto estiver de capacete (Inércia do choque + Peso da cabeça + Peso do capacete). Pode causar desde uma baita dor no pescoço até uma lesão muito maior.


A foto acima mostra uma luxação forte no joelho causada pelo impacto no painel do veículo. Nesse caso nada de mais grave aconteceu, mas existem muitos casos de fratura exposta.

Citei acima apenas três casos muito simples de complicações físicas causadas por acidentes automotivos. Se analisarmos friamente, qualquer uma destas lesões poderia ser facilmente prevenida com o uso de equipamentos de segurança adequados. E muitas delas, poderiam ter saído bem mais “caras” para os pilotos.

Engana-se quem acha que a segurança de um carro de arrancada depende apenas de um banco concha com um cinto de quatro pontos qualquer. Não adianta também fazer uma gaiola de sobrevivência se ela não foi projetada da forma correta, com soldas, triangulações e fixações adequadas e uso de tubos de metal com diâmetro externo e de parede interna corretos. Fora aqueles que insistem em usar pneus velhos ou até de moto no eixo contrário ao de tração.

É só dar uma passeada pelos boxes em qualquer prova de arrancada pra vermos incríveis absurdos no quesito segurança. É mangueira de combustível passando do lado do coletor/cano de escape, fogger de nitro preso com barbante ou silicone, bateria mal fixada, tanque e linha de combustível dentro do carro, sistema elétrico que parece poste de luz dentro de favela, banco fixado com chapinhas finas de metal pra não pesar, enfim, um show de horror a parte. Acham que estou falando besteira? Comecem a reparar a partir de agora os carros nos boxes e garanto que ficarão preocupados também.

 A cultura de ter um carro considerado “seguro” deve fazer parte da mente de cada piloto. É um custo nem tal alto assim que pode acabar saindo muito barato caso seja necessário. Qual o preço da sua integridade física?

Agradecimento ao Dr. Felipe Marx pelo envio e autorização do uso das imagens das lesões.